terça-feira, 4 de agosto de 2009

...que te direi quem és...

Oie! =]

demorei, mas voltei, com outra perguntinha.... =]

3) Você realmente acredita que suas ações não tem relação com seus pensamentos?

Se você ainda acha que não, considere o que a Palavra de Deus afirma, em Mateus 12:34b (NVI): "(...) Pois a boca fala do que está cheio o coração."

E em Provérbios 4:23: "Sobretudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida."

A versão da NVI, deste mesmo trecho, é:
"Acima de tudo, guarde o seu coração pois dele depende toda a sua vida."

Nossas ações são determinadas pelo que pensamos. Isto posto, considere com o que você está alimentando seu coração - aqui entendido como centro da vontade e das emoções humanas.

Em suma, que tipo de programa de tv, literatura (revista, livros, jornais, etc), música prende sua atenção? Como anda seu relacionamento com os membros da igreja onde congrega? Que influência eles [e outras pessoas] exercem em sua vida?

Não sejamos "meninos no entendimento" (cf I Co 14:20)! Amados, temos que vigiar - estar como sentinelas! - o tempo todo. Há quem pense que estando em contato com coisas, ou pessoas (cf I Co 15:33), que desagradam a Deus somente uma vez, ou ocasionalmente, não tem perigo. E isto é um terrível engano.

Se relacionássemos o modo como vivemos com alimentos, considere que posso não me lembrar de tudo o que comi (comida mesmo) nestes 31 anos que o Senhor, graciosa e misericordiosamente, têm me concedido, mas se não tivesse me alimentado não estaria aqui. Lembro de vezes em que degustei comidinhas muito saborosas, mas jamais me esqueci do dia em que descobri uma alergia a frutos do mar!

As coisas ruins que vemos e ouvimos grudam em nossa mente, e só pela misericórdia do Senhor, aliada a sincera disposição de agir conforme a Sua Palavra, é que seremos livres, não reproduzindo isto externamente, seja em atos, seja em palavras.
"Aquele que afirma que permanece nEle, deve andar como Ele andou." (I João 2:6 - NVI)

Por fim, sugiro a leitura do texto abaixo, extraído do blog
http://www.gilsonsantos.com.br/blog/2006/02/idias-tm-conseqncias-r-c-sproul-o.html. É um trecho do livro Idéias têm consequências, de R.C. Sproul, mas que no Brasil foi traduzido como Filosofia para iniciantes. [estou atrás do livro. Assim que localizá-lo e lê-lo, faço um post aqui].

Cada vez mais tenho meditado neste tema em relação a minha própria vida. Como comentei estes dias com um irmão, e que vai ao encontro do que diz a Palavra de Deus [cf Fp 2:12] , a cada dia mais parece que "cai a ficha" sobre a graça maravilhosa da salvação em Cristo Jesus.

Estou, como crente em Cristo Jesus, realmente acreditando, confiando, tendo fé naquilo que leio da Palavra? Busco viver como se o Senhor realmente estivesse do meu lado, como Ele mesmo prometeu em Mt 28:20b? O quanto tenho vivido da Palavra de Deus?

Espero que estas perguntas também o façam refletir, querido leitor e, se algo estiver em desacordo, que o Espiríto Santo de Deus nos encaminhe para o caminho de segurança e graça do Pai Eterno. Ó Deus Pai, nós suplicamos, em nome de Cristo Jesus! Amém!

"Verão de 1959: foi meu segundo ano na faculdade e marcou o fim da "década dos dias felizes" (...) Minha maior preocupação era um emprego para as férias. Vários amigos, estudantes de engenharia, tinham encontrado trabalhos bem remunerados para o verão, que pagavam bem mais que o salário mínimo. Minhas perspectivas eram pessimistas: eu era estudante de filosofia. Nos jornais, não encontrei um único anúncio de emprego para filósofos. Minha única alternativa era um trabalho que não exigia qualificação e pagava salário mínimo. Assim, fiquei contente ao encontrar uma vaga no departamento de manutenção de um hospital.

Quando o zelador soube que eu era estudante de filosofia, entregou-me uma vassoura e disse: "Pegue. Você pode pensar o quanto quiser, apoiado no cabo dessa vassoura". Meus colegas de trabalho gostaram da sua ofensa. Entre outras responsabilidades, eu tinha de varrer a rua e o estacionamento em frente ao hospital.

Durante a minha primeira semana no emprego, consegui varrer toda a minha área. Meu território acabava onde o acesso ao hospital confrontava o alojamento das enfermeiras. Lá vi outro homem varrendo o estacionamento adjacente. Ele me acenou, nos apresentamos e trocamos gentilezas. Quando eu lhe disse que era estudante universitário, ele logo perguntou o que eu estudava. No momento em que ouviu "filosofia", seu rosto se iluminou e seus olhos brilharam: Despejou sobre mim uma bateria de perguntas sobre Descartes, Platão, Hegel, Kant, Kierkegaard e outros. Eu estava atônito diante do conhecimento daquele homem. Era evidente que ele conhecia filosofia muito mais do que eu.

Achei muito estranho que um homem cuja principal ocupação é varrer ruas pudesse ser tão versado no campo abstrato da filosofia. Toda aquela conversa me pareceu estranha. Eu tinha de lhe perguntar como sabia tanto sobre filosofia. Sua história era de fazer chorar.

Meu novo amigo era da Alemanha. Obtivera o grau de doutorado em filosofia e havia sido professor de filosofia em Berlim. Quando Adolf Hitler chegou ao poder, os nazistas não se contentaram em encontrar uma "solução definitiva" para judeus e ciganos. Eles também tentaram eliminar intelectuais cujas idéias não combinassem com os "valores" do Terceiro Reich. Meu amigo perdeu seu cargo. Quando arriscou falar contra os nazistas, sua esposa e seus filhos foram presos e executados. Ele escapou da Alemanha apenas com a filha mais nova.

Perguntei-lhe por que não estava mais lecionando, e ele disse que o ensino da filosofia destruíra a vida dos seus entes queridos e arruinara a dele. Com lágrimas nos olhos, disse que agora vivia apenas para a sua filha.

Quando ouvi a história desse homem, eu tinha vinte anos de idade. Para mim, a Segunda Guerra Mundial era uma lembrança muito vaga. Para quem tem vinte, catorze anos parecem uma eternidade. Mas para o meu amigo alemão, que já passara dos cinqüenta, os anos da guerra pareciam ter sido ontem. Suas lembranças do passado eram tudo menos vagas.

Meus pensamentos se detiveram em mais uma coisa naquela manhã, que é a razão por que estou contando essa história aqui. Eu estava empunhando uma vassoura porque vivia em uma cultura que dá pouco valor à filosofia e tem pouca estima por quem gosta dela. Meu amigo, todavia, estava com uma vassoura nas mãos porque vinha de uma cultura que dava grande valor à filosofia. Sua família fora destruída porque Hitler sabia que idéias são perigosas. Hitler temia tanto as conseqüências das idéias do meu amigo que fez tudo o que podia para eliminá-lo - juntamente com suas idéias.

(...) A filosofia nos obriga a pensar em termos de fundamentos. Com fundamentos quero dizer os primeiros princípios ou verdades básicas. A maioria das idéias que moldam nossa vida é aceita (pelo menos no começo) sem muita crítica. Não criamos um mundo ou ambiente do zero e depois vivemos nele. Entramos num mundo e numa cultura que já existem e aprendemos a interagir com eles.

(...) nós entramos no jogo muito depois que ele foi criado. As regras foram estabelecidas, e os limites, colocados. Ficamos admirados ao ver Descartes demorar tanto e pensar tão profundamente para concluir que ele existe. Achamos isso engraçado e pensamos que é uma perda de tempo provar algo que todos sabemos ser verdade – que existimos. Ou ficamos admirados ao ver Kant passar a sua vida analisando como sabemos tudo o que sabemos, se, do nosso ponto de vista, simplesmente sabemos.

Será que sabemos? Pensadores como Descartes e Kant não estavam simplesmente contemplando o próprio umbigo. O pensamento fundamental desnuda todas as nossas pressuposições, para podermos descobrir quais são falsas e até letais. O pensamento fundamental está interessado na diferença entre verdade e falsidade porque se importa com o bem e o mal. A antiga máxima ainda vale: "Vida não avaliada não vale a pena ser vivida". Para qualquer pensador sério, especialmente para o que diz ser cristão, uma vida não avaliada não é uma opção válida.

Se meu pensamento não tem valor no mercado ou não é bem recebido no tribunal da opinião pública, sempre posso voltar a varrer estacionamentos. O que não posso é não pensar. Não pensar é impensável." (grifo nosso)

SPROUL, R. C. Filosofia para Iniciantes. Trad. Hans Udo Fuchs. São Paulo: Edições Vida Nova, 2002, pp. 9-13)


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