terça-feira, 1 de setembro de 2009

Você quer ser um levita?

Oie! =]

Neste mês de agosto, que ora finda, estudei o livro de I Crônicas.

Impossível não comentar sobre o capítulo 23, especialmente quando lemos ou vemos, dia após dia, tantos abusos e excessos cometidos pelos ditos “levitas” e “seus” ministérios de louvor.

Confesso que sempre me incomodei com o termo, talvez porque me soasse como uma espécie de vanglória, muitas vezes arrogância mesmo, por parte dos que assim se intitulam [e fazem questão de serem assim chamados], como se somente estes fossem verdadeiramente servos do Senhor, em detrimento aos “não levitas”.

Depois da leitura da Palavra, cuja versão da Nova Tradução da Linguagem de Hoje (NTLH) segue abaixo, confesso que ando 'mordendo a língua' para não mandar algumas pessoas ler este texto...oooops.... =}

“1 - Quando já estava bem velho, Davi pôs o seu filho Salomão como rei de Israel.
2 – O rei Davi reuniu todos os líderes israelitas e todos os sacerdotes e levitas.
3 – Foram contados os levitas de trinta anos para cima, e o total foi de trinta e oito mil homens.
4 – O rei nomeou vinte e quatro mil deles para administrarem o trabalho de construção do Templo. Nomeou também seis mil para fazerem a escrita e resolverem os problemas que surgissem.
5 – E ainda nomeou quatro mil para serem guarda dos portões e quatro mil para louvarem o SENHOR com os instrumentos que o próprio rei tinha mandado para fazer para isso.
(...)
24 – Foram estes os descendentes de Levi, por famílias e por grupos de famílias, registrados nome por nome. Todos os seus descendentes da idade de vinte anos para cima eram responsáveis pelos serviços do Templo de Deus, o SENHOR.
(...)
27 – Assim, de acordo com as últimas ordens de Davi, quando completavam vinte anos de idade, os levitas eram registrados para o serviço.
28 – Então eram escalados para ajudar os sacerdotes descendentes de Arão na adoração no Templo, para cuidar dos seus pátios e salas, e para conservar puro tudo o que era sagrado;
29 – para serem responsáveis pelos pães oferecidos a Deus, pela farinha de trigo usada nas ofertas, pelos pães achatados feitos sem fermento, pelas ofertas assadas em frigideiras e pela farinha de trigo misturada com azeite. Eram também encarregados de pesar e medir as ofertas para o Templo;
30 – de louvar e glorificar o SENHOR todas as manhãs e todas as tardes
31 – e sempre que as ofertas a Deus eram queimadas no sábado, na Festa da Lua Nova e em outras festas. Foram feitas regras a respeito do número de levitas escalados de cada vez para fazerem este trabalho. Eles ficaram encarregados para sempre da adoração ao SENHOR.
32 – Eles receberam a responsabilidade de cuidar da Tenda da Presença de Deus e do Templo e ajudar os seus parentes, os sacerdotes descendentes de Arão, na adoração do Templo.

Capítulo 29: 20 – Então Davi disse a todo o povo:
Louvem o SENHOR, nosso Deus!
E todo o povo louvou o SENHOR, o Deus de nossos antepassados; todos se ajoelharam e encostaram o rosto no chão, adorando a Deus e prestando homenagem ao rei”

Levita era o membro da tribo de Levi, que ajudava os sacerdotes nos serviços da Tenda Sagrada (conforme Nm 3: 5-15) e, depois, do Templo (2 Cr 8:14). Em virtude de uma Palavra direta do Senhor para o povo escolhido, Israel, esta tribo foi separada com o firme propósito de servir onde fosse preciso – na construção, na escrita, no louvor, na segurança.

Embora livros de historiadores e arqueólogos comentem que os levitas responsáveis pela guarda do Templo eram, na verdade, estrangeiros que resolveram seguir ao Senhor Deus, não é razoável crer nisto, em face dos detalhados relatos da genealogia dos grupos das famílias desta tribo descritos na Bíblia.

Outro detalhe que, no meu modesto entender, corrobora esta idéia é a determinação da idade destes membros – de 20 e de 30 anos para cima, dependendo do serviço. Há muito tempo, na sociedade ocidental, é natural a ideia de que idade não significa maturidade, experiência. Mas, para uma família judaica, após os 20 anos, o rapaz já devia ter aprendido sobre a Lei e alguma profissão. Já deveria, portanto, ter ciência da importância do seu relacionamento com o Senhor Deus, e do impacto do seu trabalho para sua família e para a sociedade.

Mas, o que mais me chamou a atenção, ao meditar um pouco mais sobre os levitas, foi que de total de 38 mil pessoas, somente 4 mil foram designadas para louvor, com instrumentos musicais - mesmo número de guardas dos portões. Maioria esmagadora (24 mil) foi designada para “administrarem o trabalho de construção do Templo” [I Cr 23:4 b], eles “promoverão a obra da casa do Senhor” (cf JFA, Edição Contemporânea).

Dois dos quatro presbíteros da igreja onde congrego são engenheiros civis. Vejo o quanto eles trabalham, e quanta dedicação este trabalho exige – afinal, um erro de cálculo pode colocar uma construção “na chom”, como dizia uma personagem de uma novela antiga. É um trabalho que exige horas de esforço, planejamento, cálculo e acompanhamento de cada etapa do projeto, conhecimento dos materiais...

Considerando estas informações, responda-me quantas pessoas você conhece, hoje, que gostariam de ser levitas, conforme estes 34 mil – construtores, escrivãos, juízes e guardas dos portões da igreja? Você consegue se enxergar, ou perceber, em alguma destas funções?

Infelizmente, temos visto uma 'igreja' que se chama evangélica – entendendo o termo, aqui, como derivado do Evangelho – pregando e incentivando atitudes totalmente contrárias à Bíblia. Especialmente no que se refere à louvor e adoração, há muito engano...e arrogância, orgulho próprio, estrelismo...

No trecho bíblico citado acima [I Cr 29:20], vemos que a adoração e o louvor levavam o povo a uma posição de reverência e temor – espiritual e física. Antes que alguém comece a procurar alguma pedra, informo que li as outras referências que falam de louvor, com música e dança, após vitórias de guerras, ou grandes bênçãos recebidas do Senhor.

Mas, o que quero considerar no momento, relativo à louvor, não pode se limitar a ritmo musical, especialmente quando se considera o teor das letras - desculpem-me os que gostam, mas axé, funk, sertanejo e pagode 'gospel', entre tantas pérolas, não existe [tratarei disto oportunamente].

Em muitos casos, o ouvinte mais atento não vê qualquer consonância entre o teor do louvor musical dos tempos bíblicos, que ressaltavam e expressavam os atributos de Deus [poder, glória, majestade, força, cuidado, proteção, defesa] manifestos na vida do cantor e durante a história do povo, e o relatado no louvor contemporâneo, onde se observam aberrações como confundir intimidade com sensualidade, chamar o Senhor Deus de você – você é meu igual, Senhor é superior, é dono ...

Os levitas de hoje buscam ou criam espaços na mídia [tv, internet, revistas, etc] não para falar do amor do Senhor e para expressar o que Ele faz em suas vidas – a menos que isto esteja relacionado com casa e carro novo e mais dinheiro - mas para divulgar “seu último cd ou dvd, vindo do coração do 'pai', ou fruto do sonho do 'pai', ou resultado de uma revelação tremenda”...

É frustrante ver o quanto usam o nome do Senhor em vão – e que Ele me perdoe, porque é claro que também peco nisto, mas, o Senhor sabe, não com o objetivo de obter bens e riquezas materiais...e os levitas da modernidade cantam da prosperidade financeira como se caixão tivesse gaveta, ou tivesse compartimento de carga no voo do arrebatamento...

Amados, a música é um componente da nossa vida, marcando momentos bons e ruins. É bem mais fácil guardar as verdades bíblicas através da música – quantos não aprenderam os livros da bíblia cantando-os do que recitando-os simplesmente [eu mesmo sou uma! hehehehe]?

Mas, onde o louvor contemporâneo tem levado crentes, e descrentes? Como você e eu ficamos ao ouvirmos louvores como estes? Temos a coragem de combater o erro – quando percebemos, ou permitimos que haja proliferação de uma mensagem enganosa?

Vamos refletir sobre nosso comportamento em relação à música, em como isso afeta nosso testemunho, e orar para que cheios da misericórdia do Senhor nosso Deus, sejamos abençoados com discernimento – a começar em mim, Senhor! - coragem e crescimento à plena estatura de Cristo...amados, continuemos a invocar sinceramente ao Senhor, com um coração disposto e purificado pelo sangue de Cristo...com a disposição de servir, seja onde e como for...Ajuda-nos, Senhor! Ajuda-me Senhor, eu te suplico! Em nome de Cristo Jesus, meu Salvador e Rendentor! Amém!

2 comentários:

César F. R. disse...

Gostei deste texto.Vou colocar aqui o que li recentemente no livro CRISTIANISMO PAGÃO de Frank Viola que fala a respeito dos chamados Levitas de hoje e nos leva a uma reflexão sobre o louvor e adoração:

"Entre em qualquer igreja moderna e verificará que a liturgia virtualmente começa com hinos,
corinhos ou cânticos de louvor e adoração. Não há exceções.
Em cada caso haverá uma pessoa (ou um grupo de pessoas) dirigindo e controlando a música.
Nas igrejas mais tradicionais será o “regente do coral” ou o “ministro da música”.1[1] Ou o próprio coral. Nas igrejas mais contemporâneas, será o “líder do louvor” ou a “equipe de louvor e
adoração”.
Quando chega a hora do sermão sagrado, os que “dirigem a adoração” selecionam os cânticos
que serão cantados. Eles começam a cantar tais cânticos. Eles decidem como devem ser cantados.
Eles decidem quando terminar. O povo de Deus de maneira alguma dirigirá os cânticos. Eles são
dirigidos por alguém que muitas vezes pertence ao corpo clerical — ou alguém que recebe uma
honra similar.
Isto contrasta fortemente com a maneira de fazer as coisas durante o século I. Na Igreja
Primitiva, a adoração e a música estavam nas mãos do povo de Deus.2[2] A própria igreja dirigia seus próprios cânticos. Cantar e dirigir cânticos eram questões de âmbito coletivo, não um evento profissional dirigido por especialistas.
Com o advento do coro na igreja cristã, a música escapou das mãos do povo de Deus para as
mãos do pessoal clerical composto por cantores treinados.Esta mudança deveu-se em parte ao
fato de que as doutrinas heréticas se espalhavam pelo cântico dos hinos. O clero sentiu que se o ato de cantar hinos estivesse sob seu controle, isso restringiria a expansão de heresia.Mas isso
também estava arraigado no crescente poder do clero como principal ator no drama cristão.
Então alguém pergunta, “Que mal há em um líder de coro, um líder de adoração, ou uma
equipe de louvor, dirigindo a música na igreja?” Nenhum, exceto que isto rouba do povo de Deus
uma função vital: A função de selecionar e de dirigir sua própria música nas reuniões — de ter o louvor divino em suas próprias mãos — de permitir que Jesus Cristo dirija a música de Sua Igreja em vez de um diretor humano.

Andreia =] disse...

Miguim querido! =]

obrigada pela contribuição! Achei interessante o texto que colocaste, especialmente a questão do poder que isto traz.

"levitas" ou não, a cada dia temos que tomar a nossa cruz, e seguir a Jesus Cristo! =]

Bjim!