terça-feira, 15 de setembro de 2009

Compartilhando - parte I


Abaixo segue um estudo muito bem elaborado pelo irmão Isaltino Gomes Coelho Filho, e publicado originalmente no Noticiário Evangélico – informativo das Igrejas Neo Testamentárias.

Em tempos de “unção financeira para quem se dispõe a doar R$ 900,00, recebendo totalmente grátis uma certa bíblia", entre outras coisinhas mais, espero que aprendam tanto quanto eu.


“Eu sou dizimista”


O dízimo é uma questão discutida entre nós. É aceito pela maioria dos membros da igreja, embora nem sempre esta o pratique. É contestado por alguns. Em meus anos de membro de igreja e de ministério pastoral nunca vi uma só pessoa se opor a ele porque queria dar mais. Os oponentes o são por dar menos ou não dar nada.

Queda-me a impressão que os combatentes do dízimo se sentem incomodados em dar seu dinheirinho para a igreja.
Não tenho interesse em debater a questão. Sou dizimista. Prazerosamente. Sinto-me realizado quando vou à frente devolver meu dízimo (dízimo não se dá, nem se paga; devolve-se) .

E não quero converter alguém ao “dizimismo”. A recusa em praticá-la será acertada com Deus. Mas alistarei as razões pelas quais sou dizimista. Quem não as aceita, tudo bem. Mas, assim como não recebe meus argumentos, não me dê os seus. Dispenso-os. Sou feliz em ser dizimista.


Entendo que o dízimo não é questão de doutrina. Discutir se é da Lei ou da graça não me é relevante. Nem me abalo com a ideia de que não está expresso no Novo Testamento. O primeiro dizimista foi Abraão (Gn 14: 18-20). Ele não viveu sob a Lei, que veio 430 anos depois dele (Gl 3: 17, 18). Dízimo não é criação da Lei.

Outro argumento, em linha oposta, é que o dízimo era praticado em religiões pagãs, antes de ser incorporado à Lei.

A oração também era praticada por pagãos, inclusive pelos defensores de Baal (I Rs 18: 26 e seguintes). Os cânticos também eram oferecidos às falsas divindades. Em 'a epopéia de gilgamesh' (personagem de 2700 d.C) há orações, músicos e ofertas às pseudodivindades.

Recusar-se ao dízimo, alegando que estava entre pagãos, e gostar de cantar, de “ministrar louvor”, que também havia entre os pagãos, me soa incoerente.

Minha primeira razão para ser dizimista é que dízimo é questão de vida espiritual. Fui batizado no dia em que completei 15 anos, e um mês depois me senti vocacionado para o ministério. Adolescente, ajoelhei-me ao lado da minha cama e entreguei a vida a Jesus. Se dei a vida, porque não daria 10% do meu salário? Quem deu o maior, dá o menor.

Ao dar a vida como um todo, dei a vida material a Ele. Sou dizimista porque me dei a Jesus. Dediquei a Ele minha vida, meu casamento, meus filhos, meus talentos, que são o tudo, como não daria o pouco que são os 10% do que ganho?


Minha segunda razão para dar o dízimo é que dízimo é questão litúrgica, ou seja, é um ato de culto.
Nosso cristianismo mundanizado, moldado pela cultura de nossa sociedade materialista, entende que culto é receber coisas de Deus. Assim é que muitos de nós vamos à igreja, para receber ânimo, orientação, apoio, bênçãos. Não é errado, porque precisamos de tudo isto. Mas se é só por isto, estamos mal. Culto não é para pedir.

Culto é dar. “E ninguém apareça perante mim de mãos vazias” - Êx. 23:15.
Culto é um ato de amor a Deus. E amor não são palavras, mas dar. “Deus amou o mundo de tal maneira que deu...”. Quem ama, dá. Quem cultua, dá. Mesquinhos é que só querem receber e apenas pedem. Ser dizimista é cultuar com bens, não apenas com palavras.

...:Continua:...

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