segunda-feira, 13 de junho de 2011

...: Firme na Rocha - final :...


O verso 12, de I Coríntios 3, começa falando de bens perduráveis - ouro, prata e pedras preciosas, e depois, de bens perecíveis: madeira, feno e palha, e que o fogo revelará qual o tipo de obra.

Alguns conceitos nos vem à mente quando ouvimos sobre fogo, como aflição, sofrimento, condenação. A aflição e o sofrimento, de fato, virão para todos: bons ou maus, crentes ou não. Como fogo, porém, terão significados diferentes, de acordo com o que está sendo construído ao longo da caminhada na fé.

Para aqueles cuja construção é perdurável, o fogo é purificador. O fogo é consumidor para aqueles cujo construção é frágil. A aflição e o sofrimento revelam não somente o tipo de obra, mas também o tipo de fruto. No calor da adversidade, o que sobressai? Os frutos relatados em Gálatas 5, nos versos 20 e 21, ou os dos versos 22 e 23?

O verso 15, de I Coríntios 3, me intrigou por um bom tempo - tempo da ignorância da graça de Deus - pois diz que a obra se queima mas o tal será salvo
. É pela graça que entendemos, ou melhor, que aceitamos que a salvação não se perde. Em Lucas 15, o filho pródigo, apesar de todas as ações erradas que praticou não deixou de ser filho.

Isto não é pretexto para agirmos conforme nossas próprias vontades e desejos, ou como as pessoas que não conhecem ao Senhor agem. O filho pródigo se arrependeu dos seus erros, voltou para o Pai, e pediu-Lhe perdão.

O filho pródigo sofreu o dano, colheu a conseqüência de seus atos, ainda que salvo. Somos salvos pela graça, mas muitas vezes não podemos fugir dos efeitos da nossa transgressão. Eu creio, porém, que não seja plano do Senhor para nossas vidas uma vida como a do filho pródigo - ou seja, a de rebeldia, de deixar a casa do Pai, de sofrer dano.

O Senhor já nos lavou os pés, tornaremos a sujá-los?, como diz a amada em Cantares 5:3 e João 13:10.

Então, além de cuidarmos do solo, acertando o que for preciso, tenhamos cuidado com o que têm sido construído. Quero concluir esta meditação com a exortação de Judas, nos versos 20, 21, 24 e 25, transcrito abaixo na versão da Bíblia Viva.

"20 - Mas vocês, queridos amigos, devem edificar as suas vidas cada vez mais firmemente sobre o alicerce da nossa santa fé, e aprender a orar no poder e na força do Espírito Santo.
21 - Fiquem sempre dentro dos limites onde o amor de Deus possa chegar até vocês e a abençoá-los. Esperem pacientemente pela vida eterna que nosso Senhor Jesus Cristo lhes dará na sua misericórdia.
24 e 25 - E agora - toda glória àquele que é o único Deus, aquele que nos salva por meio de
Jesus Cristo, nosso Senhor; sim, o esplendor e a majestade, todo o poder e autoridade, são dEle desde o princípio; são dEle e serão dEle para todo o sempre. E Ele pode guardá-los de escorregar e cair e levá-los, perfeitos e sem pecado, à sua gloriosa presença, com vigorosas aclamações de alegria perpétua. Amém."

Que o Senhor Deus, agricultor e construtor no solo do nosso coração, complete esta palavra em nossos corações. Amém.

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A foto que ilustra o post retrata Massada, fortaleza de importância histórica para o povo judeu. Mais detalhes da interessante história podem ser consultados neste link.

terça-feira, 7 de junho de 2011

...: Firme na Rocha - parte I :...

Há pouco mais de um mês, um dos presbíteros da igreja onde congrego compartilhou conosco alguns detalhes da construção de um local de reunião, em um bairro da cidade onde moramos.

Além das diversas exigências feitas pela prefeitura, ele - engenheiro civil de formação - informou que o terreno tem um leve declive, e que antes de começar a construção é preciso acertar o solo.

Lembrei-me, então, do hino 59 do hinário que utilizamos, chamado Hinos e Cânticos, cujo título é Firme na Rocha. Em sua primeira estrofe, diz: "Que alicerce tens para construir, uma casa que possa resistir, essa tempestade que assoprará e a mal fundada casa abaterá?"

E também recordei de I Coríntios 3: 9 - 15 - uma passagem em que me detive por muito tempo no começo da carreira cristã, mas que só há pouco tempo comecei a entender de fato.

A versão Almeida Corrigida Revisada e Fiel tem este trecho como segue:

"Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus.

Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.

E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um.

Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. e a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo."

Este trecho é precedido pela advertência de Paulo sobre preferências ou partidarismos na igreja, e traz um alerta para cada crente, como é possível conferir nos versos 10 a 12 deste capítulo.

Entendo que o alimento espiritual que concorde com a Palavra de Deus, ainda que não seja algo com o qual esteja acostumada, ou seja da forma que eu prefira, deve ser recebido com ações de graças.

Não sei se Paulo, ao afirmar que somos lavoura de Deus e edifício de Deus considerou os textos bíblicos que tratam da parábola do semeador - Mateus 13: 1-23; Marcos 4: 1-20 e Lucas 8: 4-18, e da Videira e os ramos - João 15.

O fato, porém, é que há um avanço na ideia dos solos: uma vez que o alicerce da Palavra foi bem estabelecido, o que tem sido construído? Pensando em lavoura, se o solo recebeu boa semente, que fruto têm dado?

...: Continua :...