segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

...: Eu quis dizer... :...

Um Mestre da Lei se levantou e, querendo encontrar alguma prova contra Jesus, perguntou:

- Mestre, o que devo fazer para conseguir a vida eterna?

Jesus respondeu:

- O que é que as Escrituras Sagradas dizem a respeito disso? E como é que você entende o que elas dizem?

É assim que começa uma das mais conhecidas passagens bíblicas – a parábola do bom samaritano – relatada em Lucas 10: 25 e 26, postada aqui na Nova Tradução da Linguagem de hoje.

Comentei em outro post, tempos atrás, sobre não me conformar com o fato de pessoas sinceras trazerem para dentro das igrejas conceitos que o mundo tem sobre a vida. E daí o Senhor trouxe à minha memória esta passagem.

Creio que este é um ponto chave que pode nos ajudar a entender, e com a graça de Deus, corrigir, o problema de não viver, e compartilhar, plenamente nossa fé em Cristo Jesus nos dias atuais: sabemos, de fato, o que diz a Palavra de Deus? Como estamos entendendo, e, por conseguinte, aplicando no nosso dia a dia o que temos lido e aprendido do Mestre?

No livro de Mateus, capítulo 22: 29, está escrito: “Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus”.

Embora o mercado ocidental ofereça muitos tipos e traduções da Palavra de Deus, entre tantos outros recursos, como mapas, dicionários, estudos da cultura da época, etc, continuamos errando ao não conhecer as Escrituras e o poder de Deus, nela revelado.

Entendam, amados, que não condeno o uso destes recursos. Muito pelo contrário! Mas eles para nada servirão se o primeiro passo for dado no caminho errado. Há excelentes estudos e livros que ensinam os cuidados que devemos ter ao estudar a Palavra, mas vou reiterar dois deles.

O primeiro é orar pedindo o auxílio de Deus para entender o que está lendo – o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, como está escrito em Provérbios 1:7a.

O segundo é ler a Palavra de Deus em sentido literal, sempre que for possível. Eu creio que o Senhor Deus disse o que queria dizer, sem nada em entrelinhas, sem joguinhos ou qualquer outro artifício, coisas infelizmente tão comuns na linguagem do ser humano.

É claro que há trechos de linguagem figurada ou alegórica, respectivamente, como vemos nos Evangelhos e nos livros de Daniel e Apocalipse, por exemplo. Mas, no mais, Deus simplesmente disse. Ponto.

O descuido com esses dois marcos, para mim, ajuda a explicar uma das manifestações mais perniciosas observadas ultimamente no meio evangélico: a apresentação do Senhor Deus como permissivo, completamente tolerante com os pecados praticados por estes ‘sinceros humanistas* cristãos’ dentro das igrejas.

Para estes artistas das palavras, não há mais necessidade de arrependimento - só do que não se fez, não é preciso confessar pecados - porque Ele já sabia onde haveria a falha ou queda, não é preciso mudar sua vida - venha e permaneça do jeito que está.

A prática dos defensores desta ideia consiste em rejeitar todo e qualquer tipo de aconselhamento ou advertência indicada pela Bíblia que vá ferir, constranger, ou ofender os sentimentos da pessoa a quem o aconselhamento ou advertência é dirigido.

A internet, neste sentido, tem sido um importante canal para ajudar a espalhar este tipo de ideia. Quer um exemplo de como mensagens desta linha tem se manifestado de maneira insidiosa no nosso meio?

Há tempos tem um post com a seguinte frase circulando no facebook, que diz: “Cada um tem de mim exatamente o que merece”.

Pare e reflita um momento sobre esta pequena frase, para mim, uma versão abrangente de outra muito comum: “minha educação depende da sua”.

Tanto uma quanto a outra tem sido usada para justificar um mau comportamento diante de uma afronta, por exemplo.

E isto é totalmente contrário ao que a Palavra diz, por exemplo, em Lucas 6: 36 – o Senhor nos diz para sermos misericordiosos como Ele é, pois Ele é benigno até com ingratos e maus.

...: continua :...

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* Dicionário Aurélio, conceito de humanismo - cultura orientada para o estudo do homem e para o desenvolvimento da sua personalidade, das suas faculdades criadoras, exaltação e satisfação da sensibilidade, com máximo proveito dos recursos naturais existentes.

Um comentário:

Luciano Santos disse...

Imagina se Deus se relacionasse conosco da forma como merecemos? Estaríamos perdidos!
Adorei o post, querida amiga. Um fruto suculento e consistente. E concordo plenamente sobre a questão do falar de Deus, de forma direta. Muitas vezes as pessoas procuram tantos significados "ocultos" na palavra que perdem a mensagem direta.